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O uso de telas por crianças e adolescentes é um tema que gera muitas dúvidas e preocupações entre pais, educadores e especialistas. Os dispositivos eletrônicos podem proporcionar benefícios, como facilitar o acesso à informação, ao aprendizado e à comunicação, mas também trazer riscos, como afetar a saúde mental, emocional, social e física dos jovens.

A coordenadora do Departamento de Foniatria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), Dra. Mônica Elisabeth Simons Guerra, explica que o uso de telas deve ser limitado de acordo com a idade e as necessidades de cada criança ou adolescente. 

“Até os dois anos de idade, não é recomendado. Entre três e seis anos, esse tempo não deve exceder uma hora por dia e ser reservado para atividades que envolvam interação com os pares, pais e cuidadores. E, acima de seis anos ou no caso dos adolescentes, deve-se pôr limites para garantir um equilíbrio saudável entre o tempo gasto em atividades físicas, sociais, educacionais e o sono”, esclarece.

A entidade também ressalta no parecer técnico que o uso excessivo de telas e a luz emitida por elas podem acarretar uma série de problemas de saúde e no desenvolvimento infantil, incluindo sedentarismo, obesidade, isolamento social, ansiedade, depressão, além de afetar a produção de melatonina, provocando dificuldade de concentração, memória e distúrbios do sono. Alguns dos principais problemas associados ao abuso das tecnologias são:

  • Dependência, irritabilidade, ansiedade, depressão, transtorno alimentar e do ciclo de sono, obesidade, transtorno de imagem corporal, comportamentos autolesivos e abuso de substâncias.
  • Atraso de linguagem, déficit de atenção, na comunicação e nas habilidades motoras.
  • Isolamento social, falta de empatia, descontrole emocional, dificuldade de resolução de conflitos, exposição a conteúdos impróprios, violentos ou falsos, cyberbullying e violação da privacidade.

Como mencionado anteriormente, a relação com os dispositivos eletrônicos tem efeitos diferentes em cada idade. Veja o que ocorre em cada uma.

As telas e os primeiros anos de vida

De acordo com a Dra. Mônica Guerra, essa discussão é particularmente relevante quando se trata de crianças pequenas, já que o acesso e consumo de mídias eletrônicas têm crescido significativamente na infância. Ela afirma que a quantidade de tempo que as crianças passam em frente aos aparelhos está tendo um impacto substancial em seu comportamento, resultando em aumento do sedentarismo, comportamento passivo e prejuízo na linguagem infantil.

“Esse tempo deveria ser mais bem aproveitado para atividades como brincadeiras, interações sociais, aprendizado de fala e linguagem por meio de diálogos com pais, membros da família e amigos, bem como a participação em atividades ao ar livre e/ou esportivas”, complementa.

Crianças na idade escolar: como controlar o uso de telas

É função dos pais e educadores orientar as crianças sobre o uso consciente e responsável das telas, estabelecendo limites, regras e rotinas que garantam a segurança e o bem-estar das crianças. Dr. Gilberto Bolivar Ferlin Filho explica que o convívio com pares da mesma idade na escola pode ser pensado como estratégia.

“Brincadeiras com objetos concretos, que estimulem a imaginação e a criatividade, tanto dentro como fora de casa, ou jogos com regras que possam ser realizados com seus pares de mesma idade são de grande ajuda, mas sempre supervisionados. Quando estiverem maiores, podemos propor desenhos, leituras etc.”, sugere.

A adolescência e os riscos do excesso das tecnologias

Na adolescência, por sua vez, há uma intensa mudança e ajustes nos circuitos cerebrais relacionados ao sistema de recompensa, que serão mais bem realizados se o adolescente tiver um estilo de vida saudável. “O uso excessivo de telas nessa idade, por meio de redes sociais ou jogos eletrônicos, pode guiar os ajustes no sistema de recompensa do cérebro adolescente, favorecendo o desenvolvimento de vícios em jogos eletrônicos e até funcionando como um gatilho para a ocorrência de transtornos psíquicos mais graves”, declara a Dra. Vanessa Magosso Franchi.

Segundo ela, o uso esporádico das telas pelos jovens pode facilmente evoluir para uma utilização mais frequente, levando a problemas no desempenho escolar, diminuição ou ausência de atividade física e de momentos de lazer em família, má qualidade do sono, entre outros fatores.

Dicas para controlar o uso de telas pelos jovens

É fundamental que os pais ou responsáveis estejam atentos ao uso dos aparelhos eletrônicos por crianças e adolescentes e busquem formas de equilibrar o tempo online com outras atividades que promovam o desenvolvimento saudável dos jovens. Algumas dicas são:

Estabelecer regras claras e consistentes sobre a utilização dos dispositivos, negociando com os jovens os horários, os locais e os conteúdos permitidos.

– Dar o exemplo, reduzindo o próprio tempo de uso e evitando usá-las como forma de escape ou recompensa.

Incentivar outras formas de lazer, como brincadeiras ao ar livre, jogos educativos, leitura, música, arte e esportes.

– Estimular o convívio familiar e social, promovendo momentos de diálogo, afeto e diversão sem o uso das telas.

– Acompanhar e orientar os jovens sobre os riscos e as oportunidades da internet, ensinando-os a usar as tecnologias de forma crítica, ética e segura.

Em caso de dúvidas, procure um otorrino!

Tem outras questões sobre como educar os jovens para fazer o melhor uso das telas e gostaria de mais orientações neste sentido? Consulte já um otorrinolaringologista, especialista adequado para ajudá-lo com o problema. A Foniatria é a área de atuação da Otorrinolaringologia que cuida especialmente dos distúrbios da comunicação.

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